quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Para mim, a companhia é uma consequência e estar sozinho pode ser uma das melhores maneiras de aprender a amar.

__Francisco Galarreta

Algumas histórias têm que ficar no passado para que a gente encontre sentido e poesia no presente. Para que a memória não se sinta aprisionada num lugar de dúvidas e dor. Para que, ao dormir, os sonhos não sejam povoados por uma identidade que não nos define mais.

__ Fabíola Simões


Uma pessoa pode ter uma infância triste e mesmo assim chegar a ser muito feliz na maturidade. Da mesma forma, pode nascer num berço de ouro e sentir-se enjaulada pelo resto da vida.

(Charles Chaplin)


Pessoa infeliz não gosta de ver pessoas felizes.

(Elisabete Coelho)
 

domingo, 4 de dezembro de 2016

- Esconde esse absorvente
Essas espinhas
Arranca esses pelos
Da um jeito nesse seu cabelo duro
Mal cuidada
Porca

Feche esse sorriso
Sua mãe não te ensinou
Sobre o perigo de andar sorrindo na rua?
Abaixa essa cabeça
Para de encarar
Você esta chamando atenção
Assim vão achar que você esta dando mole

Delicia
Gostosa
Oh la em casa
Fecha essa boca e não reclama
Saiu de casa de saia curta
Camisa decotada
Maquiagem
Sem um homem
Tem que aguentar

Como assim não sabe cozinhar?
Você é mulher
Tem que cuidar do lar
Como assim não quer engravidar?
Você é mulher
Tem que engravidar

Faculdade? Viagem?
Mas você é mãe
Tem que cuidar
Abriu as pernas, agora não adianta
Largar na creche
Irresponsável

Mãe solteira?
O pai foi embora?
Não sabe quem é o pai?
Transou sem camisinha
Vai ter que aguentar
Vadia

Esse roxo ai
Tenho certeza que apanhou
Que teu marido te bateu
Mas você mereceu
Provocou ele
Você sabe que não pode se levantar
Mulher tem que ser submissa
O homem é que comanda o lar

Ah, mas que criança linda
É uma menina?
Toma aqui esse vestidinho rosa
Essa coberta de florzinhas
Pinta o quarto de rosa
Um rosa bem bonito
Porquê mulher é monocromática durante a infância

Ih, chegou a menarca
Essa vai dar trabalho
Ensina pra ela a se valorizar
Mulher tem que se dar ao respeito
Fala pra ela não deixar ninguém ver esse absorvente
Esse sangue sujo

Vai ter que começar a usar sutiã
Os mamilos estão aparecendo pela camisa
Que coisa horrível
Adolescente descuidada
A mãe dessa ai não ensinou nada

Foi estuprada?
Morreu no processo?
Devia estar pedindo
Sem sutiã, andava sozinha
Aquele batom vermelho
Aquela bunda enorme
Não sabe que menina tem que ficar em casa?
Deu sorte pro azar

Não foi educada
A mãe era solteira
O pai estava é certo de ir embora
Se ela era assim com a filha, imagine com o marido

Não foi respeitada
Opressão?
Imagine

Olha lá a mãe dela
Na beira do caixão
Olhando pro rosto da filha
Sem cor, sem vida
Um futuro morto antes mesmo do nascimento
Filha de mãe solteira
Sem pai, sem respeito

Morreu tão jovem
Aos 17
Uma menina tão linda
Maldita sociedade
Espero que a mãe dela aprenda a lição
E não tenha mais filhos

Suicídio?
Mas ela poderia ter começado uma vida nova
Agora que tinha perdido a filha
Poderia terminar a faculdade
Arrumar um emprego
Mas era uma fraca
Era mulher
O destino, a vida, as possibilidades
As pessoas
Cavaram a cova e jogaram ela lá dentro

Vitimismo? Preconceito?
Abuso? Agressão?
Cala essa boca e vai lavar uma louça
Você tem uma delegacia só sua
Tem seus direitos
Não luta na vida
(Mas luta na rua)
Não morre na guerra
(Mas morre em casa)

- Cintia Duarte Montilla
Rose Steinmetz via Mari Lopes


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Podemos julgar o coração de um homem pela forma como ele trata os animais.

Immanuel Kant

 
Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei.

Sócrates



 
"E eu, que estou de bem com a vida, creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas
de sabão e tudo que entre os homens se lhes assemelhem"

Nietzsche



 
Sou feita de retalhos.
Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma.
Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior...
Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade...
Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.

E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também.
E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados...
Haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.

Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.

E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de "nós".

 
 
Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira...

Manuel Bandeira

sábado, 12 de novembro de 2016

A pessoa mais bonita que eu conheço sabe sorrir com a alma e consegue acender qualquer ambiente. É o tipo de pessoa com quem você se sente à vontade para contar o sonho que teve na noite anterior ou de quando ralou o joelho escalando o muro quando tinha seis anos.

Najara Gomes


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

"Aceite tudo o que estiver presente, e, uma vez aceito incondicionalmente, tudo fica belo. 
Mesmo a dor tem um efeito purificador. Assim, por tudo o que surgir em seu caminho, fique grato."


(Osho)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Quem tem espiritualdade e consciência da nossa mortalidade, aceita a morte com naturalidade. 

(Elisabete Coelho )



“Quando fico desesperado eu me lembro de que em toda a história o amor e a verdade sempre triunfaram, houve tiranos e assassinos que por um tempo pareceram invencíveis, mas no final sempre caem pense nisso!”

Gandhi


“Podem torturar meu corpo quebrar meus ossos e até me matar, então, eles terão meu cadáver, mas não minha obediência!”

Gandhi


“Mas eu sei que a felicidade não vem das coisas, mesmo das coisas modernas, ela vem do trabalho e do orgulho que se faz!”

Gandhi



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Sol de Primavera
Beto Guedes
  
Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito

A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

45 lições escritas por uma senhora de 90 anos
1. A vida é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde, para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos, mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância. feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite 'não' como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré.
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada chamado 'desastre', com essas palavras: 'em cinco anos, vai importar'?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Independentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva.
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que você fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente.
Regina Brett

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Amor é quando toda dificuldade vira mero detalhe perto da vontade de permanecer junto.

 ( Julie Singo)



terça-feira, 2 de agosto de 2016

Não leve nada para o lado pessoal

Segundo dos quatro compromissos do livro da Filosofia Tolteca de Don Miguel Ruiz
Se você leva as coisas para o lado pessoal é porque, em algum nível, você concorda com o que está sendo dito. Nós costumamos levar as coisas para o lado pessoal devido a uma coisa chamada “importância pessoal”. Achamos que tudo o que acontece a nossa volta tem a ver conosco. Será que tem mesmo? O que os outros fazem, dizem ou pensam tem a ver com a forma como os outros veem o mundo, e não tem nada a ver com você. Já parou para pensar nisso?
Os outros veem o mundo baseado nos compromissos que assumiram consigo mesmos (suas crenças) e isso não tem nada a ver com você. Quando você se sente ofendido ou magoado por outra pessoa sua reação é defender seus compromissos (suas crenças) como algo certo, estabelecido, como uma “verdade”, quando são apenas suas crenças. Saiba que os outros não tem nada a ver com suas crenças.
Daí tantos conflitos e tanto caos criados em nossas vidas. Eu levo tudo para o lado pessoal, e os outros também. Eu defendo meus pontos de vista e os outros defendem os pontos de vista deles.  Não deveríamos levar nada para o lado pessoal, nem as críticas e nem os elogios.
Não levar nada para o lado pessoal é viver em estado de tal amor que todo o mundo ao nosso redor é visto por esse prisma, sob o ponto de vista do amor. Se vejo tudo com olhos amorosos, me liberto das críticas e até dos elogios. O contrário do amor é o medo, e quanto mais medo tivermos em nós, mais levaremos as coisas para o lado pessoal, criando caos e conflito.
Escolha: quero ver o mundo com olhos medrosos? Ou quero ver o mundo com olhos amorosos? Assuma o compromisso de não levar nada para o lado pessoal, vendo tudo com olhos amorosos. Não faça do lixo alheio o seu próprio lixo.
Don Miguel Ruiz


terça-feira, 26 de julho de 2016

O mundo não quer que eu me distraia. Distraído estou salvo.
Paulo Leminski





Ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga

ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa 
porque não quer
não porque não tem asa
Paulo Leminski


terça-feira, 12 de julho de 2016

 Sou diferente, mas não inferior.

Temple Grandin


Por muito má a sua vida possa parecer, sempre há alguma coisa que você pode fazer e ter sucesso. Enquanto há vida, há esperança.

(Stephen Hawking)
A Teoria de Tudo


"A mudança começa com um sussuro."

(The help Movie)


Não importa a cor do cabelo, o estilo das roupas, muito menos a cor da pele. Nada disso define caráter.” 


"Deus disse que precisamos amar nossos inimigos. Isso é difícil. Mas podemos começar dizendo a verdade. Ninguém nunca tinha me perguntado qual é a sensação de ser eu. Uma vez eu disse a verdade sobre isso, e me senti livre. E eu comecei a pensar em todas as pessoas que conheço. E as coisas que eu vi e fiz. Meu rapaz Trelaw sempre disse que um dia nós vai ser um escritor na família. Eu acho que vai ser eu."

 (Aibileen Clark)

(The help Movie)





sexta-feira, 8 de julho de 2016

Eu tenho fé na juventude, que estuda, trabalha e corre atrás dos seus objetivos.Tenho fé também nas mudanças radicais que elas são capazes de fazer.
A juventude do bem é capaz de fazer uma grande revolução em todos os sentidos para melhorar a nossa nação.
Chega de mentes fechadas, ultrapassadas.
Precisamos de "gente humana", percebo que apesar do caos que estamos enfrentando existe esperança, pois, quem tem o privilégio de conviver com essas pessoas do bem, entende perfeitamente o que eu estou dizendo. 

Deixa alguém gostar de você!

Você pode ser a pessoa mais forte do mundo.
Você pode ser a pessoa que melhor sabe se virar sem ninguém, mais independente, mais cheia de experiência, mas você nunca, nunca será alguém que ninguém possa  ajudar a ser melhor.
Às vezes a gente cria uma casca de certeza e com isso nos blindamos do resto do mundo. Há quem faça isso pelo trauma de alguma decepção, há quem faça isso por medo de recomeçar e há quem faça simplesmente por pensar que não precisa de ninguém.
Uma coisa é depender de alguém, outra é precisar.
Você não deve pensar que a sua felicidade depende de outra. Não deve pensar que só vai conseguir ser feliz se tiver alguém pra te acompanhar. Você sempre será sua melhor companhia, você dorme e acorda com a cabeça no próprio travesseiro, você nasceu e vai morar num caixão sem ninguém. Você é o único representante das suas vontades nesse mundo. Mas você não é alguém que outro alguém não possa melhorar.
E você não precisa se obrigar a aceitar que alguém entre na sua vida.
Mas bem que você pode se ajudar para que isso aconteça.
Se você parar pra pensar, vai lembrar de alguém que já tentou se aproximar de você, mas que instantaneamente você tratou de assustar. Você não deixa alguém te fazer bem. E daí que o mundo parece estar uma bosta com tanta gente mal caráter e de valores que não pareçam em nada com os seus? É neste mundo que está quem você precisa. E daí que já teve gente que passou pela sua vida deixando mais feridas do que sorrisos? Isso não te faz uma pessoa perdedora. Essas pessoas existem e sempre vão existir! Um dia foi com você, neste segundo em que lê isto é com outra pessoa em algum lugar deste mundo, talvez até mesmo na sua rua.
Talvez seja uma questão de você começar a olhar a vida com o coração.
Quando a gente só enxerga as coisas com olhos acabamos tendo uma única visão sobre o mesmo lado da vida, agora, quando a gente vê as coisas com o coração, conseguimos fazer o cálculo entre tudo que nos faz bem, o que nos faz mal, tudo o que queremos e tudo o que estamos fazendo por merecer.
Você tem razão, as pessoas não tem se esforçado em ser interessantes mesmo.
Mas você já viu com o coração o que é alguém interessante pra você?
Talvez não seja uma homem de novela pra você postar fotos juntos e ver as amigas elogiando de lindos e casal perfeito. Talvez não seja uma garota de capa de revista pra você se orgulhar em andar de mãos dadas no shopping.
Talvez seja alguém como você nunca imaginou.
Talvez seja só alguém que já te provou o quanto pode te fazer bem.
Talvez seja quem separa um minuto do próprio dia pra te dar um oi pelo chat.
Talvez seja alguém que assiste um vídeo engraçado e te manda o link pra rir também.
Eu preciso de alguém que me faça bem. Você precisa de alguém que te faça bem. Todos nós precisamos de alguém que nos faça bem. Isso não é exclusividade pra ricos ou para as pessoas indubitavelmente lindas, isso é uma importância para qualquer ser humano deste planeta.
Vai ver você não mereça o jeito com que tem lidado com a própria vida. Vai saber, talvez aquele próximo beijo sem-nome que vai dar numa noite qualquer nem precisa de fato acontecer. Talvez você só precise responder “quando?” quando alguém te chamar pra sair, quando esse alguém que te veio à cabeça te chamar pra sair. Vai saber, não tem como garantir, mas talvez você esteja curtindo as fotos de quem não curte você, enquanto tem alguém que curtiria pelo menos conversar mais com você e saber como foi o seu dia.
Tenta ver a sua vida com o coração.
Seus olhos podem estar escondendo o que o seu coração precisa ver.
É naquela fração de segundo que você julga alguém como interessante pra você que está quem você deve respeitar: ele mesmo, novamente, o seu coração.
É claro que você não precisa se obrigar a nada. Você não precisa sair com todo mundo só pra ver no que vai dar, só pra tentar ver se gosta. Mas se você conseguir identificar quem se esforça por você, bem que poderia valorizar um pouco mais.
Deixa alguém tentar cuidar de você.
Deixa alguém provar que você é importante. Presta atenção em quem se preocupa e para de julgar como alguém que tenta te controlar, mas sim, como alguém que se coloca no seu lugar pra te ajudar. Deixa alguém se aproximar antes de você afastar. Vale repetir que você não tem a obrigação de aceitar, mas tem o valioso direito de tentar.
Você pode se considerar a pessoa mais independente desse mundo, mais cheia da porra toda, mas sempre será alguém que outro alguém pode te ajudar.
Márcio Rodrigues


FELICIDADE INCURÁVEL
Minha felicidade é incurável, guardo em mim e nos outros, nunca está reunida em um único lugar.
Minha felicidade é incurável. Nem a tristeza levou. Nem a morte dos mais próximos. Nem a perda da pessoa amada.
Minha felicidade contraria diagnósticos e medos, supera fobias e traumas.
Minha felicidade é imbatível. Não se acanha com a gripe ou a enxaqueca. Não se diminui perante o pessimismo dos outros. Possui anticorpos de leveza para se prevenir do contágio da ingratidão. Recusa a chantagem do ressentimento.
Sou feliz por ninharia. Sou feliz por muito pouco - só será pouco para quem não valoriza o simples.
Minha risada é insistente e imprevisível, absolutamente mal-educada: interrompe o choro, o bocejo, o soluço.
A alegria não vem, já estava me esperando: na carona de um som familiar ou de um cheiro da infância, surgindo de uma lembrança ou de uma fantasia. Existe comigo ou apesar de mim, sozinho ou acompanhado. Porque, se tudo der errado, ainda estou vivo e tenho a chance de fazer diferente.
Sou feliz por aquilo que foi e me amadureceu, por aquilo que é e sustenta a minha vontade, por aquilo que será e me mantém curioso.
Sou feliz atento, sou feliz distraído, sou feliz cedo, sou feliz tarde, sou feliz por arrumar a cama ajudado pelas mãos do sol. Feliz como se houvesse uma música que sempre gosto de ouvir tocando em meu sangue. Há em mim esperança mais do que expectativas, contentamento mesmo quando reina o silêncio.
Sou feliz pois o sofrimento cansa e reclamar somente atrai os chatos.
Sou feliz por uma questão de justiça pessoal. Nada adoece a minha felicidade. Não fiquei amargo com o tempo, fiquei apenas mais puro: bebo a vida sem açúcar.
( Fabricio Carpinejar)

quinta-feira, 9 de junho de 2016

“Amo, não menos o Homem, mas mais a Natureza...”.
Na Natureza Selvagem


Uma vida mansa e isolada no interior, com a possibilidade de ser útil a quem é fácil ser bom, pessoas que não estão acostumadas a ser servidas. E trabalhar com algo que pode ser útil. Além de descansar, natureza, livros, música, amar seu próximo. Essa é a minha ideia de felicidade. E, então, acima de tudo, você como parceira e, quem sabe, filhos. O que mais o coração de um homem pode desejar?
Na Natureza Selvagem

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Poxa, eu lamento dizer isso, mas ninguém é eterno. E sabe aquele seu amigo muito amigo? Ele vai te deixar chateado. E sabe aquela pessoa incrível que você contava? Ela vai te decepcionar. E sabe aquela colega que almoçava todas as quartas junto com você? Ela vai passar a almoçar com outra pessoa depois que uma de vocês mudar de emprego. A vida é assim: traz algumas pessoas e afasta outras.

Clarissa Corrêa.


quinta-feira, 14 de abril de 2016

           

Casamento e/ou O Amor –


Aos que não casaram, aos que vão casar, aos que acabaram de casar, aos que pensam em se separar, aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar…
Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga.
Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata.
Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí?
Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor.
Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer evitar.
O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo.
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.
O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta.
Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas.
Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.
É preciso que haja, antes de mais nada, RESPEITO. Agressões zero.
Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência…
Amor, só, não basta. Não pode haver competição.
Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas.
Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar.
Amar, só, é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra.
Não adianta apenas amar.
Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança.
Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar, ‘solamente’, não basta.
Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão, racionalidade.
Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!
(Artur da Távola)


quarta-feira, 13 de abril de 2016


                                     A Vida é prova!
Vem chegando o natal e as crianças, por volta dos seis anos, começam a questionar suas crenças: “Papai Noel existe mesmo?” “Não é só fantasia e barba de algodão?”, e por aí vai, até que na noite de natal finalmente a ficha cai e percebem, com uma ponta de decepção, que suas suspeitas se confirmaram: ele nunca existiu…
A dor do crescimento começa aí…
Então você cresce, amadurece, e aprende_ a duras penas_ que o mundo não é feito de açúcar, que os adultos nem sempre detêm a verdade_ quase nunca detêm…_ que algumas coisas não saem do jeito que a gente quer.
Mas a dor do crescimento aparece mesmo quando você descobre que algo em que você acreditava deixou de existir.
É assustador ter que reformular tudo aquilo que te constituía e não constitui mais.
Temos que estar dispostos a abrir mão de nossas crenças, de nossos planos tão reais, palpáveis, terrenos… para acreditar numa nova realidade.
E vamos descobrindo que nada é tão real, palpável ou terreno. Que tudo pode mudar num piscar de olhos, enquanto nos apegamos ao que é conhecido.
Percebemos que vivemos, mas não pertencemos. Amamos, mas não controlamos. Temos fé no invisível, mas nunca estamos prontos.
Quanto mais aceitarmos o que é_no lugar do que pensávamos que era_ mais fácil superamos, e descobrimos nosso lugar.
A vida é prova. E as questões são específicas para seu aprimoramento.
Suas dores e decepções, os revezes, desvios e sustos fazem parte do pacote.
Errar faz parte; deixar em branco anula quem você pode vir a ser…
Fabíola Simões







A questão é saber, se o ser humano consegue ser tão descomplicado quanto é o amor?

Elisabete Coelho



Essa de "Provar o Nosso Amor" não existe !! 
O AMOR é um sentimento !! 
Uma Sensação !! 
Uma Jura Não-Pronunciada !! 
Uma Brisa Confortadora !! 
Uma Lágrima de Alegria !! 
Um Riso de Tristeza !! 
Um Adeus Quando se Chega !! 
Um Olá Quando se Vai !! 
Um Fogo Nutrido com Água !! 
Um Incêndio Apagado a Gás !! 
Uma Dor Gostosa !! 
Um Açúcar Amargo !! 
Um Ácido Extremamente Doce !! 

Não é algo que se possa dimensionar, descrever, citar, provar, tocar, olhar ... 

É algo que se sente dentro do mais fundo do nosso ser !! 
Não pode ser mostrado, medido, remendado, quebrado ou palpado !! 

Cada um sente esta energia maravilhosa no simples aproximar-se do outro !! 
Se quiseres acreditar, que acredite, Se duvidares, é porque não o mereces !! 


(Paulo Q)




segunda-feira, 11 de abril de 2016

Desmediocrize sua vida. Procure seus desaparecidos, resgate afetos. Aprenda com quem tiver algo a ensinar, e ensine algo àqueles que estão engessados em suas teses de certo e errado. Troque experiências, troque risadas, troque carícias. Não é preciso chegar num momento-limite para se dar conta disso.
O enfrentamento das pequenas mortes que nos acontecem em vida já é o empurrão necessário. Morremos um pouco todos os dias, e todos os dias devemos procurar um final bonito antes de partir."
Martha Medeiros

quarta-feira, 30 de março de 2016

Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. De alguma forma a gota de chuva aparecerá de novo, o vento permitirá que velejemos de novo, mar afora.
Morte e ressurreição. Na dialética do amor, a própria dialética do divino.
Quem não pode suportar a dor da separação, não está preparado para o amor. Porque o amor é algo que não se tem nunca. É evento de graça.
Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.
Rubem Alves


O esquecimento, frequentemente, é uma graça. Muito mais difícil que lembrar é esquecer! Fala-se de “boa memória”. Não se fala de “bom esquecimento”, como se esquecimento fosse apenas memória fraca. Não é não.
Esquecimento é perdão, o alisamento do passado, igual ao que as ondas do mar fazem com a areia da praia durante a noite.

Rubem Alves




A solidão amiga

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, "parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis". A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: "Como se comporta a Sua Solidão?" Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você." Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim: "Por muito tempo achei que a ausência é falta./ E lastimava, ignorante, a falta./ Hoje não a lastimo./ Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim./ E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,/ que rio e danço e invento exclamações alegres,/ porque a ausência, essa ausência assimilada,/ ninguém a rouba mais de mim.!"

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que "o inferno é o outro." Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

"Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz - ela me fala com ternura e felicidade!

Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas.

Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos/poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar."

E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, "certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa - garrafa, prato, facão - era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia."

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: "As obras de arte são de uma solidão infinita." É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

"...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília..."

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.
Rum Alves