sexta-feira, 6 de junho de 2014

"Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo."
Ariano Suassuna


quinta-feira, 5 de junho de 2014

O grau mais elevado da sabedoria humana é saber adaptar o seu caráter às circunstâncias e ficar interiormente calmo apesar das tempestades exteriores.

Daniel Defoe



Analise

0bservo, como a humanidade anda deprimida. Dizem uns mais inteligentes que é o efeito estufa, outros a radiação de equipamentos eletrônicos, outros que é normal, alguns acreditam em tudo isso outros em nada disso. Mas o fato é que andamos meio dowm, ou seja pra baixo, temerosos, pensativos, caminhando e não só conversando sozinho como até rindo sem saber do que. Mas afinal o que está acontecendo? Será normal? Será? Podem até ter explicação a algumas dessas perguntas, porém já não tiramos um tempo pra nós mesmos, pensamos só nos outros, corrigimos todo mundo mas nos deixamos de lado. Conheço gente que vive amargurada a mais de dez anos por não entender porque o o marido agora ex, foi embora. Mães que apesar da dor, não deixam nem suas almas nem a de seus filhos mortos descansarem...E você pode até dizer ``Você fala assim porque não é contigo´´. Mas uma coisa eu digo dor, é dor e nunca ninguém vai achar isso bom, seja ela de qual natureza for. A vida não para; já percebeu? E o que aconteceu passou, ficou lá atras, a unica pessoa que ainda insiste em carregar o velho fardo é a pessoa que não quer se desprender. E isso as machucam e transformam em seres humanos mortos vivos. Não consigo gostar de ditados populares mas há um em que sempre observo, onde se diz A dor é inevitável mas o sofrimento é opcional´´. Nada é fácil, e nunca vai ser; mas estamos deixando nos envolver nos problemas dos outros, vendo informação ruim na tv ou rádio, e isso sem que possamos resolver e ai é preciso repensar nossa história de vida, pois cada um tem o seu tempo e o seu estigma. Seria bom que cada ser mudasse um pouco o seu modo para melhor usando o lado construtivo vendo que somos todos iguais e que o outro ser é complemento para conviver e não propriedade particular. Quando as almas se encontram tem um proposito que é a edificação e nunca a destruição. A coisa está de um jeito que o ser humano agora é predador dele mesmo e isso só leva a destruição. Já se vai longe a hora olhar para dentro de si e auto-afirmar-se todos os dias ``somos obra divina´´ onde a ideia do criador é crescer e multiplicar.

Nilton Mendonça


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quando o amor acaba por ele mesmo, quando existe incompatibilidade entre as personalidades dos amantes, suas reações à perda não chegam nunca ao desespero trágico dos desfechos produzidos de fora para dentro, do social para o pessoal, do desamor geral contra o amor possível.
Os amantes sabem que só se ama por inteiro, ou então o que estão fazendo não é amor, mas uma associação de interesses mútuos, um negócio. Além disso, quando se ama, não se está pensando em segurança, duração, controle, posse, pois isso corresponde à forma com que o autoritarismo capitalista familiar ou de estado se expressa no plano pessoal e afetivo. Se sou um libertário, desejo que tanto eu quanto o meu parceiro vivamos o amor em liberdade, na emoção, no espaço e no tempo. É o amor em si mesmo que comanda a intensidade, a beleza, a forma e a duração do nosso amor, em cada um e entre os dois, jamais o contrário.
Roberto Freire

Porque eu te amo, tu não precisas de mim.Porque tu me amas, eu não de ti. No amor, jamais nos deixamos nos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.
Roberto Freire
Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar
contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas,psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas.

Charles Bukowski


Tecnologia

Para começar, ele nos olha nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com superioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos comandos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”. Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim, para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vinha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Está subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a máquina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusiasmo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.

Luis Fernando Veríssimo