Lygia Fagundes Telles
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Ele fixara em Deus aquele olhar de esmeralda diluída, uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Às vezes, quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a instintiva humildade do cachorro, o gato não é humilde, traz viva a memória da sua liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo.
Lygia Fagundes Telles
Lygia Fagundes Telles
Quando termino qualquer tipo de relacionamento o que prevalece são apenas os momentos ruins, porque descobri que, guardar momentos bons não me ajudam a esquecer, crio ilusões que nunca existiram. Lembrando dos momentos desagradáveis fica mais fácil deletar e aos poucos tudo vai sendo levado pelo tempo porque percebo que não vale a pena relembrar.
Simplesmente apago da memória qualquer tipo de lembrança, isto é muito interessante e até útil porque assim eu sigo em frente.
Vivo intensamente todos os momentos e sigo assim vivendo todos os dias, abraçando a vida e conhecendo novas pessoas, lugares e belas paisagens,até que tudo termine novamente,
sabendo é claro que só o que é verdadeiro permanece!
(Elisabete Coelho)
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Eu carrego comigo uma caixa mágica onde eu guardo meus tesouros mais bonitos. Tudo aquilo que eu aprendi com a vida, tudo o que eu ganhei com o tempo e que vento nenhum leva. (…) O pouco é muito pra mim. O simples é tudo que cabe nos meus dias. Eu vivo de muitas saudades. E quem se arrebenta de tanto existir, vive pra esbanjar sorrisos e flashes de eternidade.”
(Caio Fernando de Abreu)
É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto.
Caio Fernando de Abreu
Caio Fernando de Abreu
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