segunda-feira, 6 de julho de 2015

Eu-Mulher
Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.
Conceição Evaristo

Que Deus é esse que prega o desamor?
Que Deus é esse que prega a discórdia?
Que Deus é esse que castiga?
Que Deus é esse que mata?
Que Deus é esse que rouba?
Que Deus é esse que engana?
Que Deus é esse que planta preconceitos e dor?
Que Deus é esse que manda os seus filhos para o inferno?
Que Deus é esse que não perdoa?
Que Deus é esse que não ama os seus filhos?
Que Deus é esse?...
Me desculpem, mas esse Deus que os "humanos" inventaram não me representa.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

"Poeta não é só quem faz poesia. É também quem tem sensibilidade para entender e curtir poesia. Mesmo que nunca tenha arriscado um verso. Quem não tem senso de humor, nunca vai entender a piada. Tem que ter tanta poesia no receptor quanto no emissor."
__Paulo Leminski


Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.""[...]1


William Shakespeare.






Quando me perguntam qual é a minha religião eu respondo:

Sou simpatizante de todas as religiões, que entendem o significado e colocam em prática a palavra amor! As que ditam regrinhas ou decorebas eu simplesmente descarto.


Elisabete Coelho


Chegou a tão esperada Sexta-Feira!
A semana passa rápido, para aqueles que ocupam os seus dias com atividades úteis para as suas vidas.Perceber, que o tempo passa muito rápido, tem as suas vantagens e desvantagens, para aqueles que amam estar nesse plano!Por um lado a alegria de poder descansar, realizar as tarefas com calma, por outro lado a tristeza de saber que os dias passam rápido e o nosso tempo aqui nesse plano também passa, sem a gente perceber. Com essa reflexão, aprendemos que se apegar as coisas supérfluas é inútil!
Viver um dia de cada vez como se fosse o último, colocarmos o amor em primeiro lugar, porque é somente isso que prevalece!

Elisabete Coelho




quinta-feira, 25 de junho de 2015

Na língua dos pássaros uma expressão tinge
a seguinte.
Se é vermelha tinge a outra de vermelho.
Se é alva tinge a outra dos lírios da manhã.
É língua muito transitiva a dos pássaros.
Não carece de conjunções nem de abotoaduras.
Se comunica por encantamentos.
E por ser contaminada de contradições
A linguagem dos pássaros
Só produz gorjeios.

Manoel De Barros__Biografia do Orvalho